Judas Priest - Firepower | Crítica

Banda reúne seu legado do metal com a energia que a maioria das bandas novas não consegue entregar
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“É para isso que o Priest vive.” Foi assim que Rob Halford definiu o momento atual do Judas Priest. A veteranaça banda britânica de metal - e uma das mais importantes do mundo - se prepara para a turnê de lançamento de Firepower, seu aguardado novo disco.

Fica bem nítida a empolgação de Halford, Richie e Glenn quando falam do novo trabalho. Mesmo com quase 50 anos de estrada e uma bagagem riquíssima de experiências e desbravamentos de territórios musicais, para o Priest ainda é possível sentir o mesmo prazer ao lançar um disco novo. Ninguém aqui precisa mais fazer música para pagar seus boletos, o motivo real é o puro tesão de descobrir um novo riff, uma nova melodia, um novo arranjo para manter acesa a chama do metal.

E Firepower tem tudo a ver com isso. Desde o sugestivo título, passando pelo primeiro single de trabalho, "Lightning Strike", e até a volta do lendário produtor Tom Allan, o Priest reuniu em seu 18o álbum todo o seu legado do metal com a energia que a maioria das bandas novas não consegue ter. O simbolismo do nome Firepower reflete a força das faixas e a habitual raça que o Priest sempre teve de superar as dificuldades e ressurgir glorioso.

Pra quem acha que os dinossauros do rock não têm mais nada a dizer, é melhor ouvir Firepower duas vezes antes de ter tanta certeza. As músicas do disco são como lutadores incansáveis de uma batalha contra um grande inimigo. Assim como a gente luta diariamente para alcançar nossas conquistas e sobreviver às investidas traiçoeiras que a vida traz, Firepower traduz esse espírito do homem versus o sistema, versus um inimigo, versus os obstáculos que nos testam dia após dia, como fica claro em "Evil Never Dies" e "No Surrender".

Impressiona o vigor vocal de Halford que, obviamente, sem a mesma potência de antigamente, ainda convence a cada sílaba desde os registros mais baixos até os mais exigentes, e quando você acha que ele vai ramelar, ele entrega. E Firepower ganha por causa disso.

A banda toda entrega. Mesmo enfrentando todas as dificuldades do mal de Parkinson, Glenn Tipton brilha na guitarra e representa mais uma vez a força do álbum em riffs competentes: "Necromancer", "Spectre" e a surpreendente "Flame Thrower" são bons exemplos de como a coesão do Priest está afiada e faz do disco uma obra quase conceitual.

"Rising From Ruins" e "Traitors Gate" já nascem clássicas e trazem a marca registrada do som do Priest da primeira à última nota. Tudo está lá: a guitarra nervosa e pulsante, a bateria musculosa e a clássica empostação rasgada de Halford.

"Sea Of Red", a balada poderosa do disco, é um fechamento quase perfeito de um disco que veio para calar a boca de quem achava que o metal, o rock ou seus veteranos “já eram”. Firepower é o teimoso manifesto de que os dias gloriosos do Priest - e do metal - ainda estão longe de acabar.

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Nota do crítico (Ótimo)
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